domingo, 12 de dezembro de 2010

sobre os contornos maternos: matizes e cacos

Que me perdoem a repetição mais amo mesmo é o pôr do sol. Um emaranhado de cores que se confundem e decidem ir definhando aos poucos para dar lugar a outras cores que ficam impregnadas da última cor que se foi e reluta em sair do espetáculo mesmo assim. As mães são um pouco como essas cores que se confundem com nossas matizes diárias. Trazemos conosco a flor da delicadeza materna (ou geniosidade, pois tenho amigos cujas mães possuem temperamento sempre a beira de uma erupção) e os frutos de seus eternos cuidados, desejando nos carrregar vida afora, numa constante de proteção e carinho. A primeira vez que assisti o vídeo, confesso que lágrimas me vieram aos olhos...do coração. Este que se machuca em procurar amores pelo tempo infinito, mesmo sem que pecebamos, pode contar com esta figura alada,que tendo cortadas suas asas, cobre-nos com seu carinho e nos guia (até pela distância). Um pouco de mãe levamos conosco e um pouco de filho que pietá nenhuma consegue esculpir em seu significado. Música breve, lenta, suave que transforma as explosões adolescenciadas pela vida, entidade pacificadora que transborda em seu espírito até confudir-se com o nosso. Comecei este blog citando o termo "lágrimas de sangue". Este dito as mães compreendem.  Os ouvidos á espera de um sussuro, um chamado; os olhos atentos á um sinal para nos levar no colo e nos contar uma história, que vai se descobrir ser a história de nós que escutamos, e rimos, choramos, lutamos e nos deseperamos de uma esperança quase inesgotável de profundo acalento e traquilidade. Se a vida pode parecer cruel, temos um colo em que nos abrigar e um sorriso sempre á espera. Carregamos um pedaço delas em nós tanto quanto elas carrregam um pedaço de nós consigo e nossa presença é tão forte nelas quanto a delas em nós. Queria que este texto fosse uma declaração de amor, de amor correspondido. Resolvi que não preciso remeter bilhetes. Um gesto, por mais insisgnificante que nos pareça pode bastar. Hoje queria poder dizer o quanto amo minha mãe, mas a verei somente após o ano novo. Posso dizer que é desnecessário que eu o faça. A simples presença e o silêncio compartilhado, as perguntas sobre como tenho passado e indagações constantes sobre minha magreza, sobre se tenho me agasalhado bem no inverno, sobre se estou feliz já são uma resposta do tipo "sim, eu sei que você me ama, mas coloque mais roupa, que vai chover". As mães sempre fazem esta constatação. Aliás acredito que felicidade para elas é quando precisamos coversar, pedir conselho. Outro dia uma amiga minha disse que a mãe dela era uma verdadeira máquina de pedir conselhos. Do suco de laranja ou maçã à cor do pote de água do cachorro e o tipo de pazinha que ela deve utilizar para recolher o lixo que o cachorro do outro lado da rua ironicamente num dia de chuva torrencial resolveu revirar e estraçalhar na sacola em frente à sua casa. Fiquei sem palavras. Tem coisas que só o instinto maternal revela. E mesmo exagerado, refelte uma ânsia em tornar nossos dias mais seguros e nosso futuro mais feliz. E como as fizemos chorar. Não é que queiramos, mas elas choram mesmo assim. Lembram que falei que amo lágrimas por serem gotas de lágrimas cristalizadas na aurora de um sorriso? Pois bem, aprendi isso com minha mãe e sem que ela dissesse palavra alguma. Que possamos ao final da leitura deste texto olhar para nossa mães e dizer como nos sentimos por tê-las por perto. Elas irão nos olhar com aquele olhar de"eu sei", mas ainda terá valido a pena, pois nem a alma é pequena e os braços estarão sempre á espera. E se deslizarem alguns filetes de água por entre as curvas de seu rosto até tranbordarem num sorriso contido, podemos olhar para a rua e sentir que vai chover e será a nossa vez de lembrar que assim como ela, também estaremos sempre por perto... 

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